segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Mosteiros de Portugal e suas histórias de fé - Portuguese Monasteries

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Estilo manuelino, por vezes também chamado de gótico português tardio ou flamejante, se desenvolveu no reinado de D. Manuel I. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte mudéjar, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio.arte mudéjar- trata-se de um fenômeno exclusivamente ibérico que combina e reinterpreta estilos artísticos cristãos (românico, gótico e renascentista) com a arte islâmica.


 A arquitetura manuelina, que se carateriza pela exuberância plástica, o naturalismo, a robustez, a dinâmica de curvas e o recurso a motivos inspirados na flora marítima e na náutica da época dos Descobrimentos.
Exemplos típicos desse estilo são o Mosteiro dos Jerônimos e a Torre de Belém, em Lisboa, e a janela manuelina do Convento de Cristo, em Tomar.



 O Mosteiro dos Jerónimos é um mosteiro manuelino, testemunho monumental da riqueza dos Descobrimentos portugueses. Situa-se em Belém, Lisboa, à entrada do Rio Tejo. Constitui o ponto mais alto da arquitectura manuelina e o mais notável conjunto monástico do século XVI em Portugal e uma das principais igrejas-salão da Europa.


Galerias superiores do Claustro



A decoração manuelina é muito trabalhada no Claustro

Claustro Mosteiro dos Jerônimos



 Destacam-se o seu claustro, completo em 1544, e a porta sul, de complexo desenho geométrico, virada para o rio Tejo. Os elementos decorativos são repletos de símbolos da arte da navegação e de esculturas de plantas e animais exóticos. O monumento é considerado património mundial pela UNESCO, e em 7 de Julho de 2007 foi eleito como uma das sete maravilhas de Portugal.




Portal das Capelas





 A Torre de Belém é um dos monumentos mais expressivos da cidade de Lisboa. Localiza-se na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém. Inicialmente cercada pelas águas em todo o seu perímetro, progressivamente foi envolvida pela praia, até se incorporar hoje à terra firme.

O monumento se destaca pelo nacionalismo implícito, visto que é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte; tais características remetem principalmente à arquitetura típica de uma época em que o país era uma potência global (a do início da Idade Moderna).

Classificada como Património Mundial pela UNESCO, em 7 de Julho de 2007 foi eleita como uma das Sete maravilhas de Portugal.



vista do rio Tejo

 Parte da sua beleza reside na decoração exterior, adornada com cordas e nós esculpidas em pedra, galerias abertas, torres de vigia no estilo mourisco e ameias em forma de escudos decoradas com esferas armilares, a cruz da Ordem de Cristo e elementos naturalistas, como um rinoceronte, alusivos às navegações. O interior gótico, por baixo do terraço, que serviu como armaria e prisão, é muito austero.






 A sua estrutura compõe-se de dois elementos principais: a torre e o baluarte. Nos ângulos do terraço da torre e do baluarte, sobressaem guaritas cilíndricas coroadas por cúpulas de gomos, ricamente decorada em cantaria de pedra.


Torre de Belém interior





A torre quadrangular, de tradição medieval, eleva-se em cinco pavimentos acima do baluarte


A janela do Capítulo do Convento de Cristo, em Tomar é uma das mais referidas obras neste estilo.


pedra talhada em forma de cordas




 Motivos ornamentais naturalistas
 o    Alcachofras (símbolo da regeneração e da ressurreição - sendo por isso queimada nos festejos de São João, esperando que volte a reverdecer);
o    Folhas de loureiro, como no Claustro de D. João I, no Mosteiro da Batalha;  
o    Romãs (como nas portas laterais da Igreja Matriz de Golegã - símbolo de fertilidade, pela quantidade extraordinária de sementes que contêm)
o    Folhas de hera;
o    Pinhas (fertilidade e/ou imortalidade - por vezes interpretadas como sendo espigas de milho ou maçarocas) - são visíveis, por exemplo, sobre o portal da Igreja Matriz da Golegã;
o    Caracóis ou conchas de nautilus simbolizando, talvez, a lentidão dos trabalhos);
o    Animais vários
o    Putti (crianças)
•    Elementos fantásticos:
o    Ouroboros (a serpente que morde a sua própria cauda: símbolo do Universo: a união do princípio e do fim)
o    Sereias (motivo de arte profana, talvez fossem uma referência a várias palavras semelhantes e ao simbolismo associado: serão, ou a altura em que o ciclo produtivo do cardar da lã se realizava; serenata, ritual de namoro ligado ao pecado da carne, tal como em serralho, etc);
o    Monstros (principalmente as gárgulas, mas também outros, como dragões e animais de boca aberta, devorando o seu próprio corpo)
o    Orelhudos (cabeças com orelhas descomunalmente grandes, como no cadeiral de Santa Cruz de Coimbra);
o    Animais realizando acções humanas, numa perspectiva carnavalesca, como a tocar instrumentos musicais.
•    Simbolismo cristão:
o    Cachos de uvas e sarmentos (relacionado com a "Vinha do Senhor" e com a Eucaristia), como em Luz de Tavira;
o    Agnus Dei
o    Querubins
•    Outros motivos:
o    As cordas entrelaçadas e cabos, fazendo muitas vezes nós, como na Torre de Belém
o    Redes;
o    Cinturões com grandes fivelas, como no Coro do Convento de Cristo, em Tomar;



 Caracol esculpido no portal das Capelas Imperfeitas, no Mosteiro da Batalha simbolizando, talvez, a lentidão dos trabalhos)




Dragon Cathedral de Milan



Gárgula de Notre -Dame


 Dragão mordendo a sua própria cauda. Possível referência a Ouroboros.



 Cacho de uvas relacionadas com a Eucaristia


 Romãs, símbolo de fertilidade, na porta lateral da Igreja Matriz da Golegã. 

O termo "Manuelino" foi criado por Francisco Adolfo Varnhagen na sua Notícia Histórica e Descriptiva do Mosteiro de Belém, de 1842. O Estilo desenvolveu-se numa época propícia da economia portuguesa e deixou marcas em todo o território nacional.


Os "gisants"

Os "gisants" medievais ordenam, repousam e alegram o espírito. Porque há nessas efígies uma seriedade, uma deliberação, um equilíbrio diante da morte que nos introduz num ambiente de refrigério, luz e paz.Marcos Enoc Silva Antonio





Túmulo de Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal
Mestre Pero (1330)
Convento de Santa Clara-a-Nova
Coimbra



The Tomb of D.Maria VilaLobos Chapel S.Cosme e Damião






Dentre as obras de arte que nasceram sob o influxo da Esposa de Cristo, chamam poderosamente a atenção os gisants: esculturas jacentes - daí o seu nome, em francês - que ornam os túmulos de santos, nobres e cavaleiros em tantas basílicas, mosteiros e catedrais.


Túmulo do Rei D.João I e D. Filipa Lencastre

Tumulo do Rei João e D.Filipa 



Um amor imortal






Mais do que os traços físicos do finado, o gisant procura apresentar suas qualidades morais e as circunstâncias em que faleceu. Se ele pereceu em campo de batalha, o escultor o representa completamente armado, com luvas nas mãos e a espada desembainhada. Se morreu no leito, é figurado de cabeça descoberta, sem cinto, sem espada nem escudo, tendo aos pés um galgo. Os pés apoiados sobre o flanco de um leão deitado simbolizam a força e o poder que tivera em vida, mas também a ressurreição dos mortos.



Uma grade de ferro em torno da estátua podia indicar que o senhor morreu no cativeiro. Quanto às damas, são apresentadas de vestido longo, quase sempre com as mãos postas, os pés sobre o flanco de um cão, símbolo da fidelidade conjugal.


 Abadia Saint-Denis France

Porém, o atributo mais característico do gisant é sua atitude de "repouso eterno". O rosto sério e o porte sereno correspondem a quem, livre das agitações da vida terrena, já se apresentou diante do juízo de Deus e aguarda na oração e na paz a ressurreição dos mortos.



Tumulo da D.Ines de Castro - Mosteiro de Alcobaça

Inês de Castro a nobre galega por quem o infante D.Pedro se apaixonou, foi executada em 1355 em Coimbra por ordem do rei D.Afonso IV.
O túmulo tem representadas cenas da vida e morte de Cristo, em analogia com o que foi a sua vida. O Juízo Final sela a narrativa com a salvação dos inocentes e a condenação dos culpados.




Tumulo do Dom Pedro I Mosteiro de Alcobaça

D.PedroI, cujo reinado teve início em 1360, morreu em 1367.Protagonista de uma história de amor proibido reabilitou a memória da sua amada fazendo-a sepultar no Mosteiro de Alcobaça. A arca tumular narra a vida de São Bartolomeu, seu santo protetor.Uma representação da Roda da Vida simboliza a sua própria história e o seu amor por Inês de Castro.

Paradoxalmente, fitar esses túmulos engalanados ordena, repousa e alegra o espírito. Porque há nessas efígies uma seriedade, uma deliberação, um equilíbrio diante da morte orientado pela esperança no além, que eles parecem nos tirar deste mundo agitado para nos introduzir num ambiente onde há refrigério, luz e paz!


 Referências: